Qual tom escolher para a sua primeira flauta?
Pra quem vai ter a primeira flauta, eu costumo indicar o pífano em Dó ou em Sol. Abaixo eu explico o que muda de um tom pro outro, o que o tamanho da flauta tem a ver com isso e quando vale escolher outro tom, pra você decidir com segurança.
O que é o "tom" de uma flauta?
No pífano, o tom é a nota que sai quando você fecha todos os furos. Se sai um Dó, é pífano em Dó. Se sai um Sol, é em Sol.
E tem uma regra simples: quanto menor a flauta, mais agudo. Quanto maior, mais grave.
A flauta grave tem um som mais encorpado, mais bonito pra muita gente. Mas ela é mais comprida, os furos ficam mais longe um do outro e você precisa abrir mais os dedos. E pede mais ar pra soar. Por isso não é a melhor pra quem tá começando.
Por que eu indico Dó ou Sol?
Porque são os tons mais usados. Tem muita partitura, muito vídeo e muita música pra tirar nesses tons. Você não fica perdido.
O de Dó é o menorzinho. Ele segue a escala certinha: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó. É ótimo pra criança e pra quem gosta de estudar por partitura. O único porém: tem gente que acha ele um pouco agudo demais.
O de Sol é um pouco maior. Tem um som médio-grave, mais encorpado. É o mais usado pelos pifeiros e é o que mais sai aqui na oficina. As notas dele casam bem com outros instrumentos. E os furos ainda ficam numa distância confortável pros dedos.
Se eu tivesse que escolher uma só pra você, eu iria de Sol.
E se a mão for pequena?
Pra criança eu costumo indicar o de Dó, que é o menor.
Mas se é um adulto com mão pequena ou dedo fino, dá pra ajustar. Eu faço os furos um pouco menores e mais pertinho. Fica bem mais confortável de tapar.
Só um aviso honesto: eu não gosto de forçar demais essa aproximação. Quando aperto muito os furos, sinto que a terceira oitava perde. Então eu ajusto com cuidado, até onde a flauta continua soando bem.
Pra você ter uma ideia, a maior distância entre um furo e outro fica em torno de 4 cm no Sol, e uns 2,5 cm no Dó.
Já tenho um em Sol. Qual o próximo?
Aconteceu com um cliente que já tocava pife em Sol e queria variar. Se eu mandasse um Dó, ia soar agudo demais pra quem já se acostumou com o médio-grave do Sol. Aí eu indiquei Lá ou Fá: um um pouco mais agudo, o outro um pouco mais grave. Mudança sem susto.
E se eu já toco bem?
Aí vale ir num tom mais grave, ou numa de madeira com cabeça cônica. As oitavas ficam mais equilibradas e a flauta responde muito bem. A transversal grave pede mais de quem está começando, mas pra quem já tem embocadura ela responde muito bem.
Faz em outro tom?
Faço em qualquer tom, dos naturais aos sustenidos. O mais grave que eu faço é o Ré grave.
O que eu sempre confiro antes é o material. Tom grave pede tubo grande, e bambu grande, reto e grosso é raro. Às vezes eu tenho, às vezes não. Na madeira também vejo caso a caso.
E se você toca em grupo, coral ou banda, me diz a afinação de referência. Faço em Lá 440, 432, o que vocês usarem.
E a NAF? Também tem tom?
Tem. Pra quem nunca tocou e quer uma NAF, eu indico um tom médio-grave, como Sol ou Fá. É um som bom pra meditar e pra tocar de improviso. Falo mais disso no artigo sobre a NAF.
Vou conseguir aprender sozinho?
Vai. Toda flauta minha vai com uma tabela de digitação. É um desenho que mostra quais furos tapar pra cada nota, na primeira, segunda e terceira oitava. Ajuda muito nos primeiros estudos.
E a digitação do pífano é parecida com a da flauta irlandesa e da bansuri. Então dá pra aproveitar muito vídeo da internet.
No começo é normal o som demorar a sair. Na transversal, o que mais pesa é a embocadura: lábio relaxado, soprando fininho na borda do furo da embocadura. Com prática vai só melhorando.
Resumindo
- Nunca tocou: Dó ou Sol. Na dúvida, Sol.
- Criança: Dó.
- Mão pequena: furos menores e mais juntos, sob encomenda.
- Já toca: tom mais grave ou madeira com cabeça cônica.
Encomendas
Me conta pra quem é a flauta e que som você curte. Dá pra montar em Monte sua flauta aqui no site, ou me chama no WhatsApp: (75) 98290-1157.